Matar ou não matar o rapaz?

A Polícia Militar de São Paulo passou por duas saias-justas nos últimos dias. Primeiro, foi obrigada a entrar em confronto com colegas da Polícia Civil para evitar que uma passeata se aproximasse da sede do governo.

Fiquei sabendo que tinha gente no meio da passeata mostrando celular com a música "Dança da Periquita", só para lembrar do PM que gravou um vídeo dançando funk dentro do quartel e deixar os militares mais nervosos.

Agora, saia-justa mesmo foi o resultado do seqüestro ocorrido em Santo André, que acabou com as duas vítimas, ambas de 15 anos, baleadas pelo transtornado Lindemberg Fernandes Alves, 22.

O comandante da operação disse à imprensa que o seqüestrador esteve várias vezes na mira dos atiradores de elite, mas não atiraram porque era um jovem sem ficha criminal e que cometia um crime passional. E que se tivessem feito isso, seriam crucificados pela imprensa.

Se isso tivesse acontecido - matar o Lindemberg -, imagino os programas de TV que discutiriam o caso. "Será que precisava ser morto?", perguntariam aqueles sensacionalistas, ouvindo psicólogos e tudo mais.

A imagem percorreria o mundo. "A polícia que mata", diriam as manchetes. "Um rapaz que tinha uma vida toda pela frente" e "Se a polícia fosse melhor preparada, não precisaria atirar". Sem demagogia alguma, isso aconteceria, não tenha dúvida.

Não estou defendendo o trabalho da Polícia Militar. Não vou julgar ninguém, principalmente uma instituição que tantos odeiam, mas é a primeira que recorrem ao sinal de perigo.

Apenas escrevo o que acredito que aconteceria se tivessem matado o rapaz. Como não fizeram isso, apostando que ele acabaria se entregando, o desfecho foi trágico.

Agora, a PM, com certeza, agirá de outra forma. Seqüestrou, morre na primeira oportunidade. E será que alguém vai reclamar?

O blogueiro José Marcos Taveira, ou Zemarcos, é jornalista com especialização em Comunicação Social. Mora em Araçatuba, cidade do interior de São Paulo (Brasil).