O Brasil e a síndrome de vira-lata

A vitória do Brasil na escolha para a sede dos Jogos Olímpicos de 2016 foi a gota d'água. Críticas e mais críticas de brasileiros revoltados com isso, dizendo que não temos capacidade, que vai haver superfaturamento, etc., etc.

Para se ter uma ideia do pessimismo, uma enquete realizada no mesmo dia pela Folha da Região mostrou que 33,79% dos 145 votos recebidos não gostaram, porque "o País não merecia, pois investe pouco em esporte". Para outras 14,48%, é indiferente.

Como pode um país tão grande, rico e maravilhoso como o nosso ter um povo com síndrome de vira-lata latente? Nada presta, nada serve, nenhuma conquista é suficiente, nunca vamos dar conta, sempre há outras prioridades...

Estamos acostumados com a derrota, em ver as grandes potências pisando na gente, vencendo tudo. Mas isso está mudando.

Nós temos uma auto-estima tão baixa que sabemos apenas criticar. No Twitter está cheio de gente assim. Escrever contra alguém e criticando alguma coisa é especialidade do twiteiro brasileiro. Tentamos até tirar o Sarney do comando do Senado desta forma, sem sair da cadeira. Mas na hora de agir, todo mundo tem medo, ninguém quer se comprometer, ninguém vai pintar a cara. E ele continua lá, rindo da gente.

Se existe corrupção neste país é porque a sociedade está envolvida. Os políticos sujos de Brasília são reflexo do próprio povo que o elegeu. Quando estão fora, criticam; quando estão dentro, querem levar a melhor também.

Se queremos mudar os políticos corruptos que vão ficar com todo o dinheiro das obras superfaturadas das Olimpíadas e da Copa do Mundo, precisamos começar a mudar nós mesmos.

Alguém se sentiu ofendido com isso? É outra coisa normal do brasileiro. Os outros não prestam, mas a gente, sim. Somos todos santos, mas o vizinho, não. Imagina se sou assim como o Zemarcos está escrevendo...

Não sou romântico, como me chamaram no Twitter. Sou realista. A verdade é só uma: tiramos vantagem de tudo. Se não há repressão das autoridades, jogamos lixo na rua, contrariamos as leis de trânsito, estacionamos irregularmente... O outro que se dane. E quem não aproveita, quem acha que deve respeitar o direito do outro para ser respeitado, é chamado de otário.

Muda, Brasil! Melhore sua auto-estima!

Mesmo que o próprio brasileiro negativo não aceite, o Brasil é o país do momento. O real, nossa moeda, é a que mais se recuperou frente ao dólar. Passamos pela crise com simples arranhões, temos as companhias mais competitivas do Planeta. E não é eu que estou viajando na maionese, mas o Clarín, principal jornal da Argentina, povo que o brasileiro não gosta por causa do futebol. Até eles acreditam mais na gente do que nós mesmos!

As conquistas da Copa do Mundo e das Olimpíadas não foram à toa, apenas por causa dos olhos verdes do Pelé ou do cabelo loiro do Lula, considerado o político mais popular do Planeta e agora um dos mais influentes - mas aqui é um analfabeto pinguço.

O mundo acredita na gente, na nossa força, que deve nos levar em pouco tempo a ser a 5ª maior economia, perdendo apenas para EUA, Japão, China e Alemanha.

Então, acorda Brasil! Tenha orgulho de você mesmo, acredite que somos já há algum tempo do primeiro mundo! Valorize nossas conquistas e não as coisas ruins que temos. Chega de achar que não temos competência. Nossos defeitos também existem nos outros países, inclusive nas grandes potências. Não somos diferentes de ninguém, então, por que achamos isso?

Lá fora, somos considerados um país rico, e até "extremamente rico", como você pode conferir nas declarações de um jornalista em um documentário chamado "O dia em que o Brasil esteve aqui", sobre a visita da seleção brasileira ao Haiti em 2004.

No vídeo abaixo, há um resumo desta visita. O povo fica extremamente feliz ao ver nossa seleção, mais que nós mesmos. Carregam nossa bandeira, coisa que temos vergonha de fazer. Ah, já ia me esquecendo. Somos muito respeitados também no esportes. Mas isso é outro detalhes que desvalorizamos...

O blogueiro José Marcos Taveira, ou Zemarcos, é jornalista há 30 anos, com especialização em comunicação social. Mora em Araçatuba, cidade do interior de São Paulo (Brasil).
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