Mercedes Sosa: O silêncio de uma voz ativa


O domingo mais franciscano do ano foi cerceado pela pobreza musical e a riqueza celeste. Morreu neste dia 4, aos 74 anos, a cantora argentina Mercedes Sosa, querida e reconhecida em toda a América Latina.

Chamada carinhosamente de ‘La Negra’ por ter uma pele morena, Mercedes cativava a brancos, negros e demais etnias pelo seu carisma, com ou sem o microfone. Quando sua voz forte e encantadora ecoava, tudo ficava mais lindo, tudo ficava mais esclarecido.

Canções como 'Gracias a la vida', 'Volver a los 17' e 'Eu só Peço a Deus' (em parceria com Beth Carvalho), 'La Negra' coloriu mentes e corações com letras que oscilavam entre o suave e ríspido, onde o politicamente correto era a bandeira em períodos de democracia inexistente.



Mercedes, como outros intérpretes de sua geração, sempre foi muito politizada e lutadora da liberdade de expressão. Foi forçada a exílio na Europa durante a ditadura de Jorge Videla (1976-1983) na Argentina, e no Velho Continente fez a sua vez ficar ainda mais ativa.

Ao todo, Mercedes Soza gravou mais de 40 álbuns em quase meio século de carreira. Seu último trabalho foi o álbum duplo ‘Cantora’, onde grava, entre outros nomes, com Caetano Veloso e a colombiana pop Shakira, numa prova que velhos e novos talentos musicais reverenciaram e eram amados por ‘La Negra’.

O domingo está mais triste, porém o Céu recebe mais um anjo por nós entregue. Gracias por todo, eternal Mercedes Sosa!

Texto de
Cláudio Henrique

O blogueiro José Marcos Taveira, ou Zemarcos, é jornalista há 30 anos, com especialização em comunicação social. Mora em Araçatuba, cidade do interior de São Paulo (Brasil).
Saiba mais sobre o autor.