Sem repressão, motorista abusa mesmo

Texto extraído da
Folha da Região


O fim de ano está chegando...

Depois dos feriados prolongados de novembro, as festas de fim de ano se aproximam. Natal e ano-novo são comemorados em sextas-feiras, levando o trabalhador a colocar a família na estrada, curtindo a folga muitas vezes fora de sua cidade. Mais uma vez, o Brasil se prepara para um grande número de acidentes nas estradas. Serão famílias inteiras mortas por causa, na maioria das vezes, da imprudência dos motoristas. Pode parecer antecipado escrever sobre isso, mas é preciso conscientizar logo, durante o planejamento dessas viagens, que alta velocidade e sensação de impunidade, o que leva a pessoa a pisar ainda mais no acelerador, nunca tiveram um bom resultado.

O brasileiro está acostumado a usar e abusar no trânsito porque a fiscalização praticamente não existe. E quando não há repressão, não se mexe com o bolso, muitos “motoristas” ignoram o próximo, preocupam-se apenas com o próprio umbigo, estacionando onde quer e realizando inúmeras infrações.

O problema começa cedo. Quando adolescentes, conseguem a permissão dos pais inconsequentes para sair com o carro da família nos fins de semana. Querem se mostrar para os amigos, fazer bonito para as meninas - como se muitas delas se importassem com isso - e parecer adulto antes do tempo, bebendo, acelerando, ligando o som alto, enfim, badernando.

Quando crescem, a falta de impunidade das autoridades que deveriam cuidar do trânsito faz com que continuem se sentindo senhores das ruas e repassando essa triste consciência para seus filhos e netos. Isso não é história, é fato.

Em Araçatuba, por exemplo, a repressão da Polícia Militar na avenida Brasília nos fins de semana, após cobranças da comunidade, deu esperança de que esses “motoristas” iriam se conscientizar e até temer a punição. Ledo engano. Se a repressão não é constante, de nada adianta.

O problema na mesma avenida começa na sexta-feira. Qualquer pessoa que passa pela principal entrada de Araçatuba pode constatar carros estacionados nas esquinas e em cima das calçadas; outros passam lentamente na frente dos bares, deixando uma fila enorme atrás deles. E continuarão fazendo porque sabem que não serão repreendidos. Todos veem, menos quem deveria punir...

Então, caro leitor, se você não se enquadra nesta turma, prepare-se também se decidir levar a família para viajar e passear neste fim de ano. Mesmo que você esteja certo, pode encontrar alguns desses irresponsáveis que agem como donos das estradas e passam por cima de você. Eles vivem e viverão sem punição.

O blogueiro José Marcos Taveira, ou Zemarcos, é jornalista há 30 anos, com especialização em comunicação social. Mora em Araçatuba, cidade do interior de São Paulo (Brasil).
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