Sobre o último episódio de Lost


Acabei de assistir ao último episódio da melhor série que já tive o privilégio de acompanhar. Já sabia que iria chorar... Escrevi aqui certa vez que perdas virtuais também machucam. E esta doeu bastante.

Há seis anos acompanho o seriado norte-americano de J.J. Abrams pela internet. Você acaba até decorando os nomes de todo mundo tamanha a intimidade que se cria.

Sempre vibrei com cada fim de temporada. Sempre fiquei maquinando, como todo mundo, o que seriam aqueles números, o que seria a fumaça preta assassina, o que eram os sussurros na floresta, enfim, o que era aquela ilha...

Cada personagem tinha uma história linda. Cada um com uma personalidade diferente.

Jack sempre foi o líder, extremamente inteligente e sozinho; Sayid, o especialista em equipamentos eletrônicos e em tortura. Sofreu por amor a série toda.

Desmond, o brotha (gíria para irmão), e seu amor por Penny, sua luta contra o sogro Charles Widmore, que conhece todos os segredos da ilha.

Kate, a fugitiva que matou o próprio padrasto e que não sabe se ama Jack ou Sawyer.

E o Sawyer, com seu tradicional "Son of a bitch" (filho da p...), apelidos para a turma e busca eterna pelo responsável pela morte dos pais? Um cara "mau" que todo mundo gostava!

Como esquecer do Hugo, que parecia uma criança grande, o personagem mais querido de todos! Chorei junto com ele quando estava na praia e descobriu que Jin e Sun haviam morrido no submarino.

E o Ben, o cara que mais apanhou na ilha. Todo mundo batia nele... rs rs Um personagem incrível e emblemático, o maior vilão de todos. Ficar do lado de fora da igreja, no final, mostrou o quanto ele era sozinho...

Mas nenhum desses personagens era tão sofrido como John Locke. Ficou paralítico por causa do próprio pai e começou a andar de novo na ilha. Achava que tinha sido escolhido por ela para alguma coisa. Era, na minha opinião, o personagem principal. Sem contar que seu sorriso contagiava, mesmo quando estava no corpo do vilão, o homem-fumaça.


CUIDADO: O TEXTO A SEGUIR REVELA FATOS DA SÉRIE

Por falar em homem-fumaça, a história de Jacob e seu irmão é muito triste. A forma como tudo aconteceu e como Jacob o matou, transformando-o naquilo que mais aterrorizava a ilha, mereceram um capítulo inteiro. O vilão não nasceu ruim. As circunstâncias, seu desejo de deixar a ilha o deixaram assim...

Algumas cenas me marcaram muito. Uma delas foi a história do Mr. Eko, que acabou virando traficante para evitar que o irmão matasse uma pessoa. E quando o James descobre quem era o Sawyer? E dá a carta para ele?

Nunca me esqueço também da cena na praia, com a fogueira, e o Locke olhando para sua cadeira de rodas depois de conhecermos sua história. Emocionante!

E o amor entre Rose e Bernard!? Quando ele a pede em casamento de forma romântica, no restaurante, e ela diz que vai morrer! Aquilo foi lindo, incrível! O casal ficou até o fim da série.

Não posso me esquecer do amor do Charlie pela Claire e a forma como ele morreu. Nem de Rodrigo Santoro na pele de Paulo, um brasileiro na melhor série do Planeta, enterrado vivo.

Juliet, Richard, Lapidus (piloto), Miles (médium), Daniel (cientista), Walt, Michael, Boone, Ana-Lucia, Nikki, Libby, Shannon... Quanta gente!

Que final triste... E ao mesmo tempo tão emocionante e enigmático como foi toda a série. Li em algum lugar que não haveria necessidade de responder a todas as perguntas, tamanha a importância da série, mas acho que quase todas foram respondidas. Ou pelo menos cada um vai entender como quiser. Céu, inferno, paraíso...

Lost foi uma obra de arte. J.J. Abrams, seu autor, mudou a forma de se acompanhar os episódios e até como são contados, envolvendo passado e futuro. Entrou para a história, definitivamente!

Como cena marcante, separei para este post a imagem acima, do Dr. Jack ao lado do cão Vincent, encerrando tudo do mesmo jeito que começou, deitado em meio ao bambuzal.

E quando os olhos dele se fecharam... É impossível descrever a tristeza que senti... É impossível não aplaudir de pé... É impossível esquecer...


Para matar a saudade, assista aos dez minutos finais do último episódio:

O blogueiro José Marcos Taveira, ou Zemarcos, é jornalista há 30 anos, com especialização em comunicação social. Mora em Araçatuba, cidade do interior de São Paulo (Brasil).
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