Comentar não significa achincalhar

Infelizmente, esta é a forma de se manifestar hoje de muita gente
Todo blogueiro adora receber um comentário. O mesmo acontece com os portais de notícias. Com a popularização das redes sociais, virou febre. Sempre que alguém vê alguma coisa que gosta, curte ou no mínimo solta um "kkkkkk".

Comentar é algo sadio. Faz a pessoa refletir sobre um determinado tema, manifestar sua opinião. Em um país com tantos analfabetos como o Brasil, ver esse tipo de manifestação crescer é muito bom!

O problema é confundir a democracia do comentário com achincalhação. E isso, infelizmente, acontece com muita frequência, inclusive no Facebook. Uma coisa é argumentar contra; outra é ser deselegante, grosso, xingar, atacar, humilhar quem escreve, ironizar, tentar impor sua visão do fato na base do grito.

Existem pessoas, por exemplo, que nem ao menos consultam um dicionários antes de corrigir alguém. Esquecem que o português é cheio de detalhes, que poderiam aprender um pouco, mas preferem escrever besteiras e passar vergonha tentando parecer intelectuais... Não seria mais educado alertar a pessoa, enviar uma mensagem pessoal ou ensinar caso esteja realmente correto?

No Facebook, vejo atualmente verdadeiros ringues, principalmente se o assunto for política. Um grupo ataca o outro como se o mural dos amigos, que não tem nada a ver com isso, fosse penico.

Há ainda os sem-noção, aqueles que entram na conversa de amigos para dar alguma lição de moral ou se passar por certinhos. Falsos moralistas que conseguem apenas uma coisa: serem deletados. Faço muito isso, afinal, como diz o ditado, os incomodados que se mudem ou tomem alguma providência.

Em meu blog, uso a moderação de comentários. Eles já foram liberados no começo, mas hoje, com a indexação do Google, recebo visitas de muitas pessoas desconhecidas. Não me importo quando alguém não concorde com o que escrevo, pelo contrário. É um direito meu me posicionar e um direito do leitor não gostar. Mas "não gostar" não significa rebaixar o que penso ou me xingar.

Não existe "democracia" em escrever besteiras no blog ou site de alguém e querer que seja publicado. A mesma "democracia" permite o contrário. Afinal, como sempre diz uma amiga minha, você não vai permitir que alguém entre na sua sala e defeque em seu tapete em nome da manifestação livre...

Esse tipo de problema aconteceu recentemente em um post sobre a Campus Party. Dei minha opinião sobre o evento, que considero uma lan house gigante, sem qualquer serventia útil até agora. O texto foi indexado pelo Ocioso, o maior serviço do tipo no País.

Então, recebi comentários a favor e contra de várias partes do Brasil. Mas o que mais me chamou a atenção foi um adolescente - tenho certeza que é um garoto ou garota, porque um adulto não pode ser tão limitado assim; sem querer generalizar, pois há adolescentes tão inteligentes quanto muitos adultos estudados. O internauta simplesmente sugeriu que eu me matasse.

Moral da história: como não gostei do seu brinquedo inútil, tenho que morrer. Veja só o nível de prioridades na vida desta pessoa. Não havia argumentos, apenas uma raiva de quem escreveu contra. A pessoa não me conhece, não sabe se sou pai de família. Quer apenas que eu morra por pura vaidade e mimo. Deve fazer isso com seus pais, com certeza, afinal, educação se aprende em casa.

Parece que estou valorizando demais um comentário tão ridículo, mas me fez refletir sobre o que nossos adolescentes pensam hoje em dia. Não costumo liberar esse tipo de "manifestação". Aliás, não me dou ao trabalho de ler qualquer ataque. Se a pessoa iniciou seu texto me xingando, paro a leitura ali mesmo e apago sem dó... Mas tive que liberar esse para lhe dar uma resposta.

Pode até ser usual entre adolescentes, na base da brincadeira, sugerir que alguém morra, mas escrever já é demais. Se não tem a capacidade de se manifestar, por que gastar tempo para preencher formulários e escrever coisas inúteis?

Talvez, para facilitar a vida de pessoas assim, limitadas intelectualmente, tenhamos que criar na área de comentários aquelas carinhas horríveis que circulam pelas redes sociais, chamadas de memes, para alguns usuários conseguirem se manifestar. "Se não tiver capacidade para comentar educadamente, escolha um dos memes abaixo", será a mensagem.

Pense nisso se você conseguiu ler este texto até aqui e se enquadra neste tipo de "comentaristas". Não gostou do texto? Então, argumente com respeito! Seja educado! Contribua para melhorar a blogosfera e as redes sociais!

O blogueiro José Marcos Taveira, ou Zemarcos, é jornalista com especialização em Comunicação Social. Mora em Araçatuba, cidade do interior de São Paulo (Brasil).