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Redes sociais são, agora, a grande imprensa


A eleição de Jair Bolsonaro como presidente da República criou um marco na história do País: é o momento em que as redes sociais passaram a ser a verdadeira "grande imprensa". Emissoras de TV com rede nacional, jornais das capitais e emissoras de rádio, que até anos atrás monopolizavam a notícia, são agora apenas a "mídia tradicional". Detalhe: o "tradicional" tem jeito de "coisa antiga"...

Esta mudança no comportamento do brasileiro - ou mesmo do mundo todo - não começou agora. Vem engatinhando desde o surgimento da internet, que começou a fazer concorrência na divulgação de notícias primeiramente com o blogs, espaços virtuais em que qualquer um pode se manifestar e ser lido.

Hoje, Whatsapp, Facebook, Youtube, Instagram e Twitter são responsáveis pela informação de grande parte da população. E isso só tende a aumentar quando a internet chegar a mais pessoas e se transformar em um serviço essencial, como uma cesta básica, oferecido a baixos preços para os mais carentes, assim como celulares.

O exemplo de Bolsonaro nessa eleição foi gritante, impossível de não ser percebido e marcar uma era na informação. Com apenas oito segundos no horário eleitoral de rádio e TV, o capitão reformado chegou ao comando do País usando apenas as redes sociais para rebater seus adversários e a mídia tradicional. Trabalhando de forma simples, usando apenas um celular e sem ao menos edição, ganhou milhões de seguidores aos poucos, que "consomem" e compartilham avidamente tudo que ele publica.

O próprio PT, principal adversário de Bolsonaro, já utilizava as redes sociais havia muito mais tempo, pois sabia - e sabe - de sua força. A sigla e seus integrantes sempre investiram em vários blogueiros para divulgar suas mensagens e contam também com milhões de seguidores.

Mais um exemplo da nova era: a eleição deste ano consagrou a vitória de youtubers, como Arthur do Val (Mamãe falei), Kim Kataguiri (Movimento Brasil Livre), Joice Hasselmann e até o ex-ator pornô Alexandre Frota. Todos têm em comum canais na redes social para falar sobre o que pensam da política, e não dependem da "mídia tradicional". Mais: todos ficaram entre os mais votados.

A própria "mídia tradicional" vem usando as redes sociais para alimentar seu noticiário ou programas de TV há muito tempo; são fotos enviadas por leitores que flagram acidentes, por exemplo, além de vídeos e até áudio. Personagens que "bombam" nas redes sociais logo são chamados para programas de auditório. Hoje, há canais no Youtube que deixam muitos programas de TV aberta no chinelo, tamanha a quantidade de visualizações e interações.

Quer mais um exemplo da força da nova "grande mídia" na eleição deste ano? O vídeo de uma suposta orgia praticada pelo então candidato João Dória virou notícia em todos os órgãos de imprensa porque foi espalhado, simplesmente, pelo Whatsapp.

REPORTAGENS COM IDEOLOGIA POLÍTICA
Outro problema sério que vem ocorrendo com a "mídia tradicional" são as reportagens seguindo ideologias políticas. As redações estão infestadas de partidários que, em vez da neutralidade da informação, preferem seguir a visão distorcida de partido A ou B, de direita ou esquerda.

E muitos jornalistas ainda fazem campanha abertamente nas redes sociais para seus partidos, esquecendo-se que têm uma reputação a zelar e, como repórteres, podem ser escalados para entrevistar alguém que é contrário ao seu pensamento ideológico. Entrar em uma sala e passar a ser o centro das atenções, recebendo vaias, não é algo bonito de se ver...

É claro que cada um tem o direito de ter sua opção partidária, mas a neutralidade de jornalistas nas próprias redes sociais ainda é a melhor forma de fazer uma cobertura a mais imparcial possível.

CONCLUSÃO
Para encerrar, ficam várias perguntas: é benéfico para os brasileiros ter as redes sociais como a "grande mídia"? A informação encontrada nelas é de qualidade? Não tem viés partidário também? Não é uma porta aberta para fake news?

A resposta é simples: a forma de fazer jornalismo mudou com o uso em massa de celulares. Qualquer um, agora, pode cobrir um evento ou acidente e ter mais "curtidas" e comentários que um repórter tradicional. O que não mudou é a credibilidade que se exige de um profissional ou órgão de imprensa. Quando essa regra de ouro é descartada, em nome de um viés ideológico, o próprio povo procura alguém melhor para se informar.


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