Fake news: não sirva de massa de manobra nas redes sociais


O fracasso da vacinação contra a febre amarela no Brasil serviu de alerta para uma praga que se alastra na vida de milhões de pessoas que vivem o dia inteiro com seu celular, recebendo mensagens pelo Whatsapp e Facebook: o "fake news". Em tradução literal, "notícias falsas". Como jornalista, prefiro chamar de "correntes falsas", pois notícia é o que informa uma pessoa e não a engana.

Com uma grande parte de brasileiros, que se acha mais esperta, funciona assim: a imprensa nunca diz a verdade, então, vou acreditar em um desconhecido que me manda uma mensagem, dizendo justamente o contrário do que vem sendo noticiado após serem ouvidos profissionais da área envolvida.

"Fake news" é como automedicação, pois o paciente prefere acreditar na vizinha que usou tal remédio para se curar do que no médico que receitou algo especificamente para o seu problema. Esta praga virtual se aproveita da falta de educação - aqui no Brasil e no resto do mundo - para se alastrar como um rastro de pólvora.

E ninguém admite que foi enganado. Entramos aí em um segundo problema sério de boa parte da população: a vitimização. Em vez de pesquisar antes de compartilhar algo duvidoso - usar o mestre Google ajudaria muito -, a pessoa prefere divulgar logo, porque "pode ser verdade". E não admite que fez isso deliberadamente, preferindo acreditar que foi enganada quando alguém prova que é mentira.

E há gente pior: você avisa que é "fake news", mas ela ignora e mantém a postagem no Facebook, porque 'tem um fundo de verdade' ou simplesmente por querer divulgar mentiras mesmo ou prejudicar alguém que não gosta.

Há ainda neste grupo de massa de manobra as pessoas que não entendem muito de redes sociais e caem, sem perceber, nas artimanhas dos bandidos virtuais - sim, são bandidos tão perigosos como aqueles que usam armas e invadem sua casa.

Não posso me esquecer dos partidos e grupos envolvidos em política. São eles que disparam a maioria das correntes falsas para prejudicar algum político ou beneficiar outro. E contam com tentáculos espalhados em várias partes, que ajudam na proliferação, contando com a revolta da população com tantos casos de corrupção.

Aí você me pergunta: “Como não cair em fake news?”

Basta, por um instante, prestar atenção no que você recebeu, pensar um pouco antes de espalhar, achando que é esperto e vai "ajudar" seus amigos em troca e alguns likes. Pergunte: qual é a fonte da informação? Existe alguém pedindo para "compartilhar sem dó" porque "querem retirar do ar" ou "a Globo não divulga"?

“Mas eu não sei se a fonte é segura. O que faço?”

Leia mais! Se não entende de um assunto, não o compartilhe! Se não conhece órgãos de imprensa confiáveis, pesquise sobre o que consta na origem da informação que quer compartilhar.

"Ah! Todos esses órgãos de imprensa são vendidos". Se você pensa assim, já não posso fazer nada para combater a sua neurose.

VEJA AQUI MAIS ALGUMAS DICAS PARA SE PROTEGER:

- Recebeu pelo Whatsapp? Então, desconfie sempre
- Notícia falsa no Facebook: saiba como identificar

Não sirva de massa de manobra!

Não faça parte da síndrome da manada, correndo atrás de uma maioria, que dispara sem ao menos saber para onde está indo!

Pense, avalie, verifique antes de compartilhar! Você é importante, sim, nesta corrente das redes sociais. Se quebrar o elo, ajuda muito a reduzir fake news.

O blogueiro José Marcos Taveira, ou Zemarcos, é jornalista há 30 anos, com especialização em comunicação social. Mora em Araçatuba, cidade do interior de São Paulo (Brasil).
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