Político corrupto é resultado de uma sociedade corrupta


Não se engane ao achar que políticos são uma classe corrupta sem que haja uma raiz em tudo isso. Você mesmo, que está lendo este texto, pode ser tão corrupto quanto eles, e ainda se fazer de vítima.

A greve dos caminhoneiros mostrou claramente, mais uma vez, que uma grande parte dos brasileiros é tão corrupta quando seus governantes. A própria sociedade é a raiz de tudo isso, mas a vitimização nas redes sociais é mais fácil do que reconhecer o problema e tentar resolvê-lo.


Durante a paralisação, comerciantes quiseram se aproveitar, aumentando o preço dos combustíveis e a população, é claro, egoísta por natureza, foi atrás de fazer estoques de alimentos e deixar o seu "próximo" na mão. Aliás, reagir assim é típico em momentos de crise: primeiro eu; você que se lasque.

Não é raro ver uma boa parte do povo brasileiro se inovando na arte do "jeitinho" para se dar bem. Ainda durante a greve dos caminhoneiros, servidores furtaram combustível de uma ambulância para abastecer carros particulares; uma jovem usou o crachá da tia, que é servidora da saúde, para furar fila em posto de combustíveis; e moradores da fronteira do Paraguai passaram a vender ilegalmente gasolina daquele país. Esses são apenas casos denunciados pela imprensa. Imagine os que passaram sem divulgação!

E a quantidade de fake news (notícias falsas) espalhadas, então? Houve até golpe pelo Whatsapp.


Recentemente, quando o edifício Wilton Paes de Almeida desabou em São Paulo após um incêndio, muitas pessoas se mobilizaram para doar roupas aos moradores do local, que havia sido invadido. Um homem, sensibilizado, doou várias peças e, minutos depois, descobriu que eram vendidas em uma "feira".

Na enchente de 2008 em Santa Catarina, brasileiros se mobilizaram para ajudar as vítimas. Mas é claro que um grupo se aproveitou e montou o tradicional esquema de desvio dos donativos. Esse foi descoberto, mas havia, com certeza, muito mais.


Exemplos de corrupção feita por brasileiros existem aos montes. A falta de educação pode ser um dos principais motivos, pois é um problema crônico, mas falta de caráter não depende disso. E estas pessoas ainda são hipócritas, porque vão nas redes sociais atacar políticos e se fazer de coitadas. Mas mostram sua cara na primeira oportunidade...

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Ouça playlist com mais de 700 músicas de qualidade no Spotify


Se você é viciado em música, sabe que o Spotify é um templo onde encontra de tudo. E melhor: pode ir alimentando aos poucos a própria playlist com todos os sons que curte.

A minha lista de músicas vem sendo alimentada há um bom tempo e não deve parar tão cedo. Venho reunindo tudo que gosto e decidi compartilhar com os leitores do Blog do Zemarcos.

Assim, caso consiga ler este texto antes de ir direito ao link, explico que vai encontrar de tudo um pouco, menos lixos musicais que fazem muito sucesso atualmente e não merecem nem ser citados.

É claro que gostos são individuais e muita coisa não será de seu agrado. Gosto de tudo que tenha qualidade, reunindo nesta coletânea rock, pop, instrumental e, principalmente, sucessos antigos e nacionais. Como Teixeirinha, que foi um fenômeno entre os anos 1960 e 70, e Nilton César, com sua inesquecível "A Namorada que Sonhei".

Há ainda Demis Roussos (já escrevi sobre ele neste post), misturado com Sia, U2, Katty Parry, passando por Almir Sater, Sérgio Reis, Maria Bethânia, Nelson Gonçalves, Nelson Ned, chegando a Seu Jorge, X Japan (grupo japonês que faz sucesso mundial), Bruno Mars, Adam Lambart, Coldplay, Michael Jackson, Malta, Imagine Dragons, Adele e muito, muito mais.

 Para acessar a playlist do Zemarcos, >> clique aqui <<

EM TEMPO:
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Não vale a pena impor sua opinião no Facebook


Desde que o mundo é mundo, o ser humano tem opiniões divergentes. E uma grande parte tenta impor o que pensa, sempre, mesmo que inconscientemente, rebaixando a visão do opositor.

Isso acontece constantemente em casa, no trabalho, durante a balada, enfim, em qualquer oportunidade. Sua mãe acha que deve arrumar o quarto, mas você discorda, porque vai desarrumá-lo mesmo em pouco tempo, e reclama, fica com raiva dela; você quer um televisor novo para a casa, mas a esposa acha que não é um gasto necessário, e começa aí uma discussão sobre o que pode ou não ser importante para o relacionamento...

Tudo normal. É a natureza humana. O problema está na abertura que existe no Facebook para que todos possam se manifestar, sem qualquer censura. Quando existe a presença de um opositor, a discussão olho no olho, dependendo da amizade, pode ficar mais leve se pelo menos uma das partes tiver consciência de que não vale a pena brigar por discordância de opiniões.

Nas redes sociais, em que existe apenas um monitor na sua frente, parece que vale tudo. Então, a pessoa xinga, ataca, impõe a todos o que pensa e ainda aponta o dedo para o alto e diz que o Facebook é seu e escreve o que quer. Não, o Facebook não é só seu. É uma comunidade virtual que depende das amizades para funcionar. Já escrevi a respeito neste post.

Vivemos em uma democracia e defender seu ponto de vista é essencial. Mas impor o que pensa, achando que quem for contrário é um inimigo, beira a loucura e afasta as pessoas. Não bastasse a violência em que vivemos no mundo real, temos que ler isso na timeline e ver amizades sendo desfeitas.

Não, não vale a pena brigar por visões opostas sobre qualquer assunto. É imprescindível defendê-las, mas o direito de um termina quando acaba o do outro. Há espaço para ambas as partes. O que não há espaço, nem real nem virtual, é para a intolerância.

Minha despedida da Folha da Região

Foto tirada em 29/03/2018 na despedida de vários profissionais da redação da Folha: da esquerda para a direita: José Marcos Taveira, Ronaldo Ruiz Galdino, Ivan Ambrósio, Paulo Motorista, Janaína Ferreira, Aline Galcino, Fernando Lemos, Lázaro Jr., Marcelo Trevizo e Alexandre Souza

Após mais de 25 anos na mesma empresa, fica um vazio quando se quebra a rotina. Apesar disso, considero acertada a decisão de deixar a Folha da Região, jornal de Araçatuba (SP) onde passei mais da metade da minha vida. Chegou a hora de procurar novos desafios.

Reunir minhas coisas no último dia de trabalho não foi fácil. São muitas histórias em pequenas lembranças deixadas em algumas gavetas.

Ao cumprir meu plantão final, no dia 31/03/2018, um sábado nublado, aproveitei cada passo naquele corredor enorme, a caminho do estacionamento, para refletir sobre anos de aventuras e amizades. Dentro do carro, uma última olhada para o prédio e um aceno ao vigia...

Cheguei à Folha da Região em 1992, aos 21 anos, para trabalhar como repórter. Já atuava no jornalismo desde os 15 anos, em emissoras de rádio de Andradina e Araçatuba, e havia me casado meses atrás. Naquela época, os computadores ainda estavam engatinhando na redação da rua Afonso Pena; usavam monitores monocromáticos e disquetes para armazenar as reportagens. Rede interna, internet, celular? Nada disso ainda estava disponível.

Aliás, levei o primeiro celular para a redação. Uma parceria com uma empresa para a primeira cobertura digital da Expô (Exposição Agropecuária de Araçatuba).

Criei o primeiro site do jornal, onde postava as reportagens do dia para serem acessadas pelas poucas pessoas que tinham um modem com conexão discada, uma novidade em Araçatuba em 1997, quando a empresa passou também a oferecer serviço de provedor de internet, o Folhanet.

Em 1998, decidi guardar as edições virtuais para facilitar a vida de quem não havia lido no dia anterior. Surgia aí o primeiro banco de dados do site.

Em 2000, após uma visita ao Estadão, em São Paulo, criamos um portal de notícias em tempo real. Fui responsável pela criação de todas as redes sociais da Folha.

Minha carreira foi movimentada no jornal. De repórter especializado em polícia, passei a coordenador de internet, uma função que não existia até então; fui editor do jornal impresso, chefe de reportagem, editor-executivo e editor-chefe. Mas estava sempre ligado ao site, treinando equipes e atualizando, trabalhando aos domingos e feriados na cobertura de tragédias.

Um dia, você chega à conclusão que é preciso mudar, respirar novos ares, mudar a rotina. Assim, com 46 anos de idade, escrevo este texto para destacar o carinho e respeito que sempre tive e terei com esta empresa e com a família Cenci. Escrevo para agradecer, para homenagear tantos amigos que passaram pelo jornal em todos esses anos que trabalhei lá.

Tenho um enorme baú digital, com várias lembranças. Muitas foram utilizadas neste blog, um ponto de encontro para os amigos e funcionários da Folha quando ainda não existiam redes sociais. Separei muitas em um vídeo. Foi uma honra trabalhar com todos eles!

ASSISTA AO VÍDEO:

Rodrigo Murbach, reencarnação de Raulzito


Você acredita em reencarnação? É uma pergunta muito difícil de responder, porque depende das crenças de cada um. Mas quando ouve o paranaense Rodrigo Murbach, de 17 anos, cantando os sucessos do velho roqueiro, que morreu em 1989, tem certeza de que é algo sobrenatural.

O adolescente, que mora em Terra Roxa, oeste do Paraná, está fazendo muito sucesso na internet após gravar um vídeo cantando "Metamorfose Ambulante". Com a ajuda de uma amiga de São Paulo, logo viralizou e o transformou em uma celebridade virtual.

Rodrigo já deu entrevistas dizendo que não esperava tanto sucesso. Humilde, sabe que o sucesso pode ser passageiro, por isso confessa não ter grandes pretensões no meio musical.

Se você não acredita, assista aos vídeos abaixo e tire suas conclusões.

METAMORFOSE AMBULANTE:

GITA:

CAPIM GUINÉ:

EU SOU EGOÍSTA:

20 músicas inesquecíveis dos anos 1980

Ícone pop dos anos 1980, a 'patinho feio' Cyndi Lauper

Imagine o seguinte desafio: escolher apenas uma música que marcou os anos 1980. Difícil, não é?

Pois fiz esta pergunta aos amigos do Facebook para poder desenvolver este texto, e as respostas são uma verdadeira viagem a uma das melhores épocas. Isso sem contar as trilhas sonoras de filmes. São muitas, cada uma melhor que a outra.

Não é possível colocar neste post todas as indicações, mas fiz uma seleção das 20 melhores, juntando com outras que não foram citadas. O resultado você vê abaixo, por ordem alfabética. Boa nostalgia!

BEAT IT (Michael Jackson)



BILLIE JEAN (Michael Jackson)



BUILD (The Housemartin)



CARELLESS WHISPERS (George Michael)



EYE OF THE TIGER (Surviver)



FOOTLOOSE (Kenny Loggins)



FOREVER YOUNG (Alphaville)



GIRLS JUST WANT TO HAVE FUN (Cyndi Lauper)



LIKE A VIRGIN (Madonna)



MENINA VENENO (Ritchie)



SAPATO VELHO (Roupa nova)



SWEET CHILD OF MINE (Gun's N Roses)



TAKE MY BREATH AWAY (Berlin)



TAKE ON ME (A-Ha)



TARZAN BOY (Baltimora )



THE FINAL COUNTDOWN (Europe)



THRILLER (Michael Jackson)



VOCÊ NÃO SOUBE ME AMAR (Blitz)



VOYAGE, VOYAGE (Desireless)



WE ARE THE WORD (USA For Africa)


AGRADECIMENTOS
Infelizmente, não foi possível colocar todas as indicações que recebi pelo Facebook. Agradeço muito a todos os amigos do Facebook que contribuíram com sugestões para o post.

São eles: Daniel de Souza, Diuan Feltrin, Hallan Klasnic, Cleber Dias, Sergio Pinheiro de Abreu, Luciano Toledo, Fabiana Baroni, Clemerson Mendes, Sueli Allianz Park, Eric Costa E Silva, Nelson Barauna Junior, Pauline Machado, Marcelo Dias, Anny Caroline Vieira, Rafael Almeida, Paulo Cezar Batagelo, Giuliano Faria, Rodrigo Oliveira, Angelo Cardoso, Gislaine Ábrego, Wladimir Batista Neto, Denise Crispim, Fernando Antônio Assis Lemos, Daniel Freitas, Guilherme Leal, Bruno Mazzei, Mariângela Anelli, Wilma Menezes, Rodrigo Prado, Rose Assis, Everson Matheus, Raliton Dee Jay, Fernando Prudencio, Eloisa Morales, Solange Dias Vergeiro, Marta Brito, Danilo Lemos, Gustavo Alves, Fábio Azevedo, Marcelo Teixeira, Nelson Custódio da Silva, Andréa Alcides, Adriana Tobias, Conceição Gualda, Dennis Oliveira, Fabiana Baroni, Arlen Pontes, Márcia Souza Terra, Rodrigo Mendonça, Danyel Lucas Ohara, Ricardo Hassegawa, Mariana Santos, Tiago Lotto, Marcelo Peixoto Trevizo, Angela Sarraceni, Sol Carvalho, Lucas Santos, Zen San, Marcio Lyra, Vivi Tamanaha, Marlon Resina, Moacyr Paes De Almeida Neto, Antonio Batista, Deise Corazza, Clebinho MC, Welington Bolla, Roselana Aguiar, Jim Okasaki, Giuliano Valori, Marcelo de Souza, Gustavo Almeida, Marcio Arai, Marcos Martins, Lilian Flores, Leandro Mendes, Helder Bertazzi, Laercio Bachega, Vitor Massuda, Wagner Maia, Dayse Salgado, Alexandre Shigueru Morita, Mário Luiz Trevelin Júnior, Dennis Oliveira e Socorro Freitas.

Fake news: não sirva de massa de manobra nas redes sociais


O fracasso da vacinação contra a febre amarela no Brasil serviu de alerta para uma praga que se alastra na vida de milhões de pessoas que vivem o dia inteiro com seu celular, recebendo mensagens pelo Whatsapp e Facebook: o "fake news". Em tradução literal, "notícias falsas". Como jornalista, prefiro chamar de "correntes falsas", pois notícia é o que informa uma pessoa e não a engana.

Com uma grande parte de brasileiros, que se acha mais esperta, funciona assim: a imprensa nunca diz a verdade, então, vou acreditar em um desconhecido que me manda uma mensagem, dizendo justamente o contrário do que vem sendo noticiado após serem ouvidos profissionais da área envolvida.

"Fake news" é como automedicação, pois o paciente prefere acreditar na vizinha que usou tal remédio para se curar do que no médico que receitou algo especificamente para o seu problema. Esta praga virtual se aproveita da falta de educação - aqui no Brasil e no resto do mundo - para se alastrar como um rastro de pólvora.

E ninguém admite que foi enganado. Entramos aí em um segundo problema sério de boa parte da população: a vitimização. Em vez de pesquisar antes de compartilhar algo duvidoso - usar o mestre Google ajudaria muito -, a pessoa prefere divulgar logo, porque "pode ser verdade". E não admite que fez isso deliberadamente, preferindo acreditar que foi enganada quando alguém prova que é mentira.

E há gente pior: você avisa que é "fake news", mas ela ignora e mantém a postagem no Facebook, porque 'tem um fundo de verdade' ou simplesmente por querer divulgar mentiras mesmo ou prejudicar alguém que não gosta.

Há ainda neste grupo de massa de manobra as pessoas que não entendem muito de redes sociais e caem, sem perceber, nas artimanhas dos bandidos virtuais - sim, são bandidos tão perigosos como aqueles que usam armas e invadem sua casa.

Não posso me esquecer dos partidos e grupos envolvidos em política. São eles que disparam a maioria das correntes falsas para prejudicar algum político ou beneficiar outro. E contam com tentáculos espalhados em várias partes, que ajudam na proliferação, contando com a revolta da população com tantos casos de corrupção.

Aí você me pergunta: “Como não cair em fake news?”

Basta, por um instante, prestar atenção no que você recebeu, pensar um pouco antes de espalhar, achando que é esperto e vai "ajudar" seus amigos em troca e alguns likes. Pergunte: qual é a fonte da informação? Existe alguém pedindo para "compartilhar sem dó" porque "querem retirar do ar" ou "a Globo não divulga"?

“Mas eu não sei se a fonte é segura. O que faço?”

Leia mais! Se não entende de um assunto, não o compartilhe! Se não conhece órgãos de imprensa confiáveis, pesquise sobre o que consta na origem da informação que quer compartilhar.

"Ah! Todos esses órgãos de imprensa são vendidos". Se você pensa assim, já não posso fazer nada para combater a sua neurose.

VEJA AQUI MAIS ALGUMAS DICAS PARA SE PROTEGER:

- Recebeu pelo Whatsapp? Então, desconfie sempre
- Notícia falsa no Facebook: saiba como identificar

Não sirva de massa de manobra!

Não faça parte da síndrome da manada, correndo atrás de uma maioria, que dispara sem ao menos saber para onde está indo!

Pense, avalie, verifique antes de compartilhar! Você é importante, sim, nesta corrente das redes sociais. Se quebrar o elo, ajuda muito a reduzir fake news.

Música brasileira de qualidade para ouvir sem passar vergonha


'A MPB regrediu pra fase anal'. A frase de Lulu Santos em seu Twitter revela a sensação de brasileiros que gostam de música de qualidade, mas estão sendo bombardeados diariamente na grande mídia com bundas e letras que envergonham pela péssima qualidade. E pior: quem é de fora acha, realmente, que isto é o melhor que o brasileiro tem.

É claro que lixo cultural existe em qualquer parte do planeta. Mas quando passa a se alastrar tanto em um país, contaminando uma geração inteira, é hora de começar a se preocupar.

Responda rápido: se você é jovem e gosta de canções que apelam apenas para batidas frenéticas, com "cantores" desafinados e letras bizarras que falam só de sexo e bebida, sente-se bem em tocá-las ao fazer uma reunião de família, com pessoas de várias idades? Tenho certeza que não. Até você, lá no fundo, tem vergonha do que ouve.

Felizmente, a nova geração não está totalmente perdida em meio a este mar de fezes que se tornou a música brasileira. Existem jovens cantores muito afinados que nos emocionam com trabalhos de qualidade, com letras que realmente passam uma mensagem e fazem a gente querer decorar para cantar em qualquer lugar, com orgulho. Infelizmente, são poucos, aparecem raramente na TV aberta e nas rádios, mas existem, graças ao mesmo poder da internet que serve para compartilhar tanta "música anal".

Abaixo, algumas dessas obras de arte brasileiras que possuem clipes oficiais e fazem você ouvir alto, sem vergonha alguma:

Anavitória - Agora Eu Quero Ir




Kell Smith - Era Uma Vez




Luísa Sonza - Olhos Castanhos




Ana Vilela - Promete




Roberta Campos - Minha Felicidade




Tiê - A Noite




Sandy e Tiago Iorc - Me Espera




Vanessa da Mata - Ainda Bem




Anavitória e Diogo Piçarra - Trevo (Tu)




Vitor Kley - Farol




Tiago Iorc - Amei Te Ver




Vitor Kley - Dois Amores




Ana Carolina, Seu Jorge - Mais uma Vez (Nós Dois)



Tiago Iorc - Tempo Perdido




Banda do Mar - Mais Ninguém




Anavitória - Singular




Ana Vilela - Trem-Bala



OUÇA NO SPOTIFY
Quer ouvir esta seleção no Spotify? Então, clique neste link (É preciso ter uma conta no aplicativo). Sempre que uma raridade aparecer, será adicionada à lista.


DEDICATÓRIA
Este post é dedicado à minha amiga Mônica Gardenal, uma jornalista araçatubense que mora nos Estados Unidos e, assim como outros brasileiros de bom gosto, estava à procura de músicas de qualidade para ouvir.

Diário de um ex-careca: saiba tudo sobre aplicação de prótese capilar


Depois de quase dez anos careca, a sensação inicial é de ver uma nova pessoa no espelho. É estranho ter de novo uma porção de cabelos para passar entre os próprios dedos lentamente. A simples rotina de usar uma escova para pentear a parte de cima de sua cabeça o deixa constrangido, como se tivesse que reaprender a fazer algo tão comum na vida das pessoas.

No primeiro dia, parece que está usando um boné; se baixar a cabeça para arrumar os chinelos, por exemplo, a impressão é que vai descolar e cair. Só impressão. Sua cabeça, antes desprotegida e a primeira a sentir frio em qualquer mudança de clima, começa lentamente a esquentar. E aos poucos sua vida volta ao normal, com a diferença de que agora sua esposa olha para você como se tivesse rejuvenescido.

Usar uma prótese capilar é mais do que um simples luxo. É algo que deveria ser oferecido pelo SUS, tamanho o benefício que proporciona para a autoestima. Quando você deixa o salão de cabeleireiro, é outra pessoa. Mais confiante, mais... normal.

REDES SOCIAIS
A calvície nunca foi problema para mim. Nunca me incomodou. Comecei a perder meus cabelos encaracolados quando tinha 25 anos - e cultivava um grande topete. Como minha esposa nunca se importou - ou pelo menos nunca me disse que se importava -, também não me importei. Nunca fui atrás de tratamentos ou mesmo de um implante. Se funcionassem, astros internacionais como Vin Diesel ou Bruce Willis, que são milionários, já teriam usado.

As redes sociais me fizeram mudar de ideia. E a culpa é do empresário Gleber Piona, um amigo antigo que cuidava do meu falecido topete. Dono de um dos salões mais conhecidos de Araçatuba e região, ele trabalha com próteses capilares desde o início dos anos 2000, mas seus vídeos divulgados no Facebook, mostrando um resultado fantástico e natural, começaram a atrair mais clientes. Inclusive eu.

A convite de Piona, incentivado por outro grande amigo e companheiro de calvície, o jornalista Marcelo Trevizo, e com apoio de minha esposa, decidi experimentar, aos 46 anos de idade, como seria voltar a ter um topete.

PREPARAÇÃO
A primeira atitude é guardar a empolgação. Se finalmente decidiu colocar uma prótese capilar, não pense que chegará ao salão e sairá com uma. O processo é demorado para que saia perfeito. E Piona é exigente com isso. Antes de tudo, ele faz uma avaliação do seu cabelo, tira fotos, faz vídeos. É necessário para que escolha a prótese ideal.

Outro passo importante é o tamanho do cabelo que restou. Será necessário deixá-lo crescer para que a prótese "encaixe" perfeitamente nele. No meu caso, a demora foi de quase dois meses até que os cabelos ficassem no tamanho ideal e a prótese fosse escolhida, com fios grisalhos também. Se o cliente quer pintar o cabelo, a prótese seguirá o tom da tintura que escolher. Mas nada melhor que o natural, na minha opinião.

O GRANDE DIA
O implante demora cerca de duas horas. Feito calmamente e com todo cuidado típico de um grande profissional como o Piona. Ele retira o cabelo nas partes da cabeça que ficarão com adesivo, marca com uma canetinha pontos para deixar tudo no lugar correto e cola a cabeleira bem devagar.

Depois de colocar a prótese - que é feita de cabelo humano fixado em uma rede muito fina e já tem fitas adesivas -, vem o toque profissional: um penteado personalizado. O resultado é um cabelo natural. No meu caso, mantive o grisalho, o que ajudou ainda mais.

Com os colegas, o impacto foi grande. Alguns disseram que não me reconheceram logo que entrei na redação. Achei que fosse ser alvo de brincadeiras, mas os comentários foram sempre positivos. Levar as gozações na esportiva é essencial. Logo vão se acostumar com seu novo visual.

ROTINA
Manter o penteado é sua nova "preocupação". A cada olhada no espelho, uma passada de mão para arrumar os fios rebeldes. Uma escova com cerdas bem abertas e pontas de bolinha para não danificar a prótese, além de um creme para mantê-la bem hidratada durante os penteados, são essenciais.

Nas primeiras 48 horas não é recomendado fazer exercícios físicos que o levem a suar muito. Nem lavar a cabeça.

A primeira noite de sono é também "estranha". Você fica preocupado que o implante vai cair ao se mexer no travesseiro, mas nada acontece. Já o amanhecer é "assustador": um topete enorme despenteado para cuidar pela manhã. Nada que você não faça sorrindo, vivendo agora a doce vida de um ex-careca.

SERVIÇO
O salão de Gleber Piona fica na rua Bandeirantes, 783, em Araçatuba.
Telefones: (18) 3622-5535 e 98156-8545 (Whatsapp). O atendimento é com hora marcada.

Veja abaixo como foi a aplicação da prótese.

Fotos de Luci Neide Taveira e Marcelo Trevizo:



TIRE SUAS DÚVIDAS

Gleber Piona, especialista na aplicação de próteses capilares, tira dúvidas de quem pretende usar uma prótese capilar:

Quem pode usar?
Não há idade. Homens, mulheres e crianças podem aplicar. É recomendada, inclusive, para quem possui alguma cicatriz no couro cabeludo ou queda provocada por quimioterapia.

Do que é feita a prótese?
De cabelo humano, aplicado em uma fina rede que permite à pele respirar normalmente.

É feita alguma cirurgia?
Não. A prótese é colada com fitas adesivas. Em homens, é raspada a área de cima para facilitar a aplicação. Em mulheres, não é necessário porque é usada outra técnica.

Posso tomar banho com a prótese?
Sim, é possível levar uma vida normal. Se o cliente quiser aumentar a vida útil dos cabelos da prótese, pode lavar a cabeça uma vez por semana, em média. Mas é importante usar sempre xampu e condicionador de qualidade para cabelos secos e passar um hidratante ao pentear. A hidratação da prótese é essencial.

Posso entrar com ela em uma piscina?
Sim, desde que a manutenção esteja em dia. E somente 48 horas depois da aplicação.

Como é feita a manutenção?
Entre duas e quatro semanas em média. A prótese é retirada e higienizada. A fita adesiva é trocada. A cabeça do cliente, se for homem, é raspada novamente e limpa no local onde a prótese é aplicada. Se for necessário, o cabelo é cortado para manter o penteado. No caso de mulheres, não é necessário raspar a área.

Qual o valor de uma prótese de qualidade?
Entre R$ 1,2 mil e R$ 2,1 mil.

Quanto custa a manutenção?
R$ 75 em média.


Assista no vídeo abaixo entrevista com Alceu Batista e Gleber Piona, usuários de próteses, além de detalhes da aplicação em Zemarcos:




"Quando olho no espelho, o astral e a autoestima aumentam bastante", diz vereador


O vereador Alceu Batista, de Araçatuba, usa prótese capilar há mais de um mês. E aprovou a mudança de visual. Ele foi convencido por outro vereador muito conhecido no município, Cido Saraiva, que optou pelo dispositivo há vários anos. Ambos também são clientes de Gleber Piona.

Alceu começou a perder cabelo aos 20 anos. Hoje tem 54. E por mais que tentasse arrumar o que restou em volta da cabeça, não ficava satisfeito. "O implante estava fora de cogitação, porque não queria me submeter a nenhuma cirurgia", afirmou. A decisão pela prótese foi tomada por vaidade mesmo. "Decidi fazer esse procedimento (prótese) porque pensei: se não gostar, posso retirar. Não tenho problema nenhum em ter minha careca de volta."

Alceu Batista antes e depois da prótese. Fotos: Alexandre Souza/Folha da Região

O vereador já se adaptou e lembra-se apenas que usa prótese quando alguém diz alguma coisa. E se perguntam a respeito, ele afirma que tem prazer em explicar. Na primeira manutenção, decidiu apenas reduzir o topete.

Sobre a recepção dos amigos e da família, Alceu diz que foi bacana. "Não ligo para gozação. Levo muito na esportiva. Alguns amigos tiraram sarro. As esposas de alguns colegas carecas acharam bacana e sugeriram para que fizessem também", afirma.

A esposa dele, inicialmente, não queria que fizesse, mas hoje é ela quem o penteia. E está gostando. "Estou me sentindo muito bem. Quando olho no espelho, o astral e a autoestima aumentam bastante", revela. "Não achei que seria tão bom."

Campanha: bloqueie, sem dó, pessoas mal-educadas nas redes sociais


Em nome da democracia das redes sociais, sites, blogueiros e youtubers se acham na obrigação de suportar ataques de ódio e muita falta de educação em comentários dos internautas. Essas pessoas são chamadas de haters, mas, na verdade, são uns mal-educados que não sabem se expressar no mundo virtual e acham que "têm o direito" de escrever um monte de porcarias porque existe "liberdade de expressão".

Chamo estas pessoas de valentões de monitor, pois a maioria consegue se expressar apenas na frente do computador. Quando você encontra a pessoa, ela fica geralmente bem quietinha, sem qualquer valentia.

Isso é também o reflexo da falta de educação do povo brasileiro. E não estou falando de estudos, mas da falta de acompanhamento dos pais para que os filhos se tornem uma pessoa útil à sociedade em vez de ficarem despejando besteiras em Facebook, Twitter e Instagram. Geralmente, são o reflexo também de pais que pensam da mesma forma, que se preocupam mais em fazer "protestinho" nas redes sociais do que algo que realmente importe.

Por isso, defendo que você não dê espaço para esse tipo de gente. Não permita que esses mal-educados sujem sua timeline com baboseiras de ódio, com julgamentos odiosos e observações maldosas que mostram como foram criados.

Sempre comparo as redes sociais com a vida real. Você não permite que alguém, em nome da democracia, em nome da liberdade em se manifestar, defeque no jardim de sua casa ou piche as paredes. Então, não permita que haters defequem na sua timeline.

Existe uma diferença muito grande entre comentar e achincalhar. Não é necessário xingar, falar palavrões, distribuir frases cheias de ódio para dar sua opinião. Se quer se manifestar, faça de forma educada, como faria em uma reunião ou em qualquer encontro com pessoas na vida real.

Em nome da paz, apague esses comentários e bloqueie os mal-educados todas as vezes que aparecerem, mesmo que você represente uma empresa vendendo um produto ou seja uma figura pública.

Apague também tudo que for prejudicial a uma timeline saudável. Você verá como uma rede social formada por pessoas educadas e com argumentos pode deixar melhor o seu dia.

Tamanho da legenda da Netflix na smart TV: saiba como alterar


Você comprou uma smart TV e corre para assistir aos filmes da Netflix, cujo aplicativo já vem instalado. O aparelho foi colocado na parede, a uma distância bacana do seu sofá; você está até usando um cabo de áudio digital ligado no seu home theater para aproveitar os efeitos do som 5.1. Enfim, tudo estava nos conformes até aparecer a legenda no filme que escolheu...

Por padrão, a legenda dos filmes na Netflix é pequena e branca. Ou seja: se você não tiver uma boa visão, vai ter que se esforçar para conseguir ler os diálogos. E, para prejudicar ainda mais, o aplicativo instalado na smart TV não tem qualquer configuração para resolver isso.

COMO RESOLVER?
Quer deixar a legenda grande e amarela como na imagem que ilustra este post? Esta configuração é feita apenas na versão desktop da Netflix. Por isso, é preciso desligar sua smart TV, ligar seu computador/notebook e acessar sua conta.

O próximo passo e clicar na setinha para baixo que fica ao lado da fotinha do seu perfil e, após abrir uma janela, clique em "Conta".


Agora, role a página até acessar a seção "Meu perfil"; clique em "Exibição das legendas".


Em "Exibição das legendas", você vai configurar da forma que desejar. Se quiser uma legenda grande e na cor amarela, use as mesmas configurações da imagem abaixo:


- Fonte: você define o tipo de fonte que achar melhor entre as opções; é possível até deixar tudo em maiúsculo (caixa alta);
- Tamanho do texto: há três opções, ou seja, pequeno, médio e grande;
- Sombreado: é necessário para que a fonte apareça em uma cena que usa a mesma cor da fonte;
- Fundo: escolha uma cor para aparecer ao fundo da legenda;
- Janela: é praticamente a mesma coisa que "Fundo".

Quando for mexendo para testar, o sistema mostra como ficará na mensagem "Estas configurações afetam as legendas em todos os aparelhos compatíveis". Isso mesmo: quando mexer nestas configurações, vai mudar em todos os aparelhos que tiver a Netflix instalada (celular, tablet, computador ou smart TV).

Para finalizar, clique em "Salvar". Se não gostou, clique em "Redefinir como padrão" e volta tudo como era antes.

Pronto! Quando ligar sua smart TV e acessar sua conta, a legenda vai mudar - por isso é necessário desligar a TV quando for fazer a alteração, para que o aplicativo instalado nela vá buscar as novas configurações. Se não fizer isso, vai continuar vendo as legendas antigas.

Dicas para jornalistas escreverem melhor


Atualizado em 04/11/2017

Um texto jornalístico é muito diferente de um artigo. Se você gosta de escrever, entende bem de português, não significa que é um jornalista nato, como muitos pensam. Quer dizer apenas que está no caminho certo.

Muitos jovens chegam às redações achando que todos estão ultrapassados e ele vai mudar o mundo, porque não têm medo de nada; acha que, "se a Globo não divulga", como está cansado de ver nas redes sociais e sempre acredita nessas correntes, ele fará o serviço. É o primeiro erro. Quando o ego é maior que o talento, impede que portas se abram e o conhecimento de profissionais experientes seja compartilhado.

Aliás, todo jornalista tem um ego enorme, mas nem se compara aos novatos. Quando se chega a uma redação achando que tal cobertura, por mínima que seja, não é para o seu nível, já está mostrando arrogância demais e, a menos que seja um prodígio, não ficará muito tempo na equipe. Seja humilde e esteja sempre pronto para ouvir e aprender.

Mesmo jornalistas experientes têm prazo de validade em redações se não souber lidar com hierarquias ou conviver pacificamente com seus colegas. E as redações de vários órgãos de imprensa "conversam" entre si, mesmo sendo concorrentes, e ficam sabendo quem é "estrela" ou problemático, fechando suas portas para ele ou ela. Depois, esse (ou essa) jornalista se faz de vítima, buscando apoio de "amigos" das redes sociais, que nem sabem o que ele apronta no trabalho, que seus textos e -até informações apuradas - são sempre corrigidos pelos editores, mas mesmo assim o defendem.

Se você é novato no jornalismo e está lendo este texto para absorver conhecimento, parabéns. Todo ser humano precisa estar em eterno aprendizado, caso contrário a vida não tem graça. Se você já é experiente e chegou até aqui por curiosidade, fique à vontade para contribuir e compartilhar conhecimentos, deixando comentários construtivos. Se você mora em uma cidade pequena, tem um site de notícias, mas nunca fez uma faculdade de jornalismo e gostaria de aprender a escrever de forma profissional, espero que possa ajudar.

Voltando aos textos jornalísticos: o primeiro erro é achar que você leu um montão de livros e, por isso, sabe escrever muito bem. Não é bem assim. É preciso seguir regras em uma redação com profissionais de verdade, trabalhar sempre com a tal "pirâmide invertida" nas reportagens factuais e usar "nariz de cera" apenas quando tiver prática; sem contar o "lead" ou "gancho", que são essenciais.

Não sabe o que são esses termos? Então, vamos aprender.

A "pirâmide invertida" é usada para dar prioridade a um texto, uma hierarquia sobre o que vai contar. Assim, o importante vem em primeiro lugar; o menos importante por último, permitindo que o editor corte a "gordura" no pé.

O "lead" ou "gancho" é o assunto principal, que ficará no topo da "pirâmide invertida". Se você vai fazer a cobertura de um evento, seu "lead" é o que apurou de mais importante, e não uma data, um dos principais erros na hora da escrita jornalística de novatos - e até alguns experientes ruins de serviço.

O "nariz de cera" é uma introdução criativa para sua matéria e geralmente usado em material especial. Por que especial? São aquelas reportagens bem trabalhadas, em que o repórter ouve várias fontes e acrescenta "retrancas" (textos menores, que completam o "abre"), geralmente publicadas em um domingo nos jornais impressos. Mas nada impede que faça isso em matérias factuais, como coberturas policiais cotidianas, se tiver prática. Caso contrário, fica horrível e obriga o editor a refazer seu trabalho, reescrevendo a matéria.

Por exemplo: um zelador foi atropelado e morto quando ia para o trabalho. Se o texto for factual, você começa dando a notícia de forma direta: "Um zelador morreu na tarde desta quinta-feira, em Araçatuba, atropelado por um automóvel quando pedalava sua bicicleta pela avenida Brasília, em Araçatuba".

Usando "nariz de cera", você apela para a sensibilidade: "O zelador José da Silva sempre foi muito querido no Edifício Carvalho, em Araçatuba. Todos o conheciam por seu jeito simples e prestativo. Ele exibia sempre um sorriso e cumprimentava a quem encontrasse na portaria. Nesta quinta-feira, a sala onde ficava na entrada do edifício estava vazia. Silva foi atropelado e morto quando pedalava sua bicicleta a caminho do prédio onde passou 20 dos seus 47 anos de idade."

Veja aqui um ótimo exemplo de "nariz de cera" impecável.

A seguir, algumas dicas que vão ajudar jornalistas - novatos e experientes - a escrever melhor:

- NUNCA, NUNCA MESMO, INICIE UM TEXTO COM A DATA. Por exemplo: "Ontem, começou o festival de cães e gatos". Pense sempre que no texto jornalístico você informa o "principal" logo de cara. Assim, "ontem" é apenas um detalhe. Então, prefira: "O festival de cães e gatos e Birigui começou ontem". Mas se quiser escrever melhor, procure um "gancho" (o fato mais chamativo) e comece por ele. "Mais de 300 animais, entre cães e gatos, estão em exposição em um festival que está sendo realizado em Birigui, que começou ontem e vai até domingo";

- SE VOCÊ NÃO TEM UM "GANCHO", NÃO TEM UMA REPORTAGEM. É baseado no fato mais chamativo que o editor vai criar um título para atrair a atenção dos leitores. Por isso, ao fazer uma reportagem, busque sempre alguma coisa diferente. Se vai cobrir a visita de um político à cidade, foque seu texto no que ele disse de mais importante. E comece por aí. Por exemplo: "O governador Geraldo Alckmin vai construir uma nova rodovia entre Araçatuba e Birigui. A obra vai custar R$ 20 milhões e deverá começar no próximo ano. O anúncio foi feito ontem, durante visita do tucano a Araçatuba para inauguração de um posto de saúde". Não comece seu texto com "O governador Geraldo Alckmin esteve ontem em Araçatuba..." Saia sempre do lugar-comum;

- Se tiver dificuldade em iniciar um texto, PENSE SEMPRE NA CONVERSA DE BOTECO. Isso mesmo! Você marca um encontro com amigos em um boteco e chega contando novidades que viu pelo caminho. Cumprimenta os caras e começa dialogando com data ou coisas irrelevantes? Não! Vai direto ao ponto. Você não inicia uma conversa assim: "Ontem, às 15h, na rua da Cereja, esquina com a Melão, bairro das Costas, dois homens, um deles vestindo calça jeans e camiseta e o outro um macacão, foram mortos"? Nada disso! Você conta logo o que aconteceu. "Dois homens foram mortos a tiros na rua tal...";

- ESCREVA DE FORMA SIMPLES; O IMPORTANTE É SER ENTENDIDO. Assim, evite a "Síndrome do professor Astromar Junqueira", um personagem fictício de Roque Santeiro, novela dos anos 1980 da TV Globo. Ele era um homem muito culto, sempre chamado para fazer discursos em inaugurações da Prefeitura. Então, falava um monte de palavras difíceis e a população aplaudia, elogiando muito, mas sem entender absolutamente nada do que ele disse. Quanto mais o texto jornalístico for simples, sem palavras difíceis, melhor. Explique termos que não são populares;

- USE SEMPRE AS CINCO PERGUNTAS BÁSICAS DO JORNALISMO. Ao preparar seu texto, prepare-se sempre para responder a cinco questões básicas:

1) O quê? - Qual é o assunto principal? Um acidente? um incêndio?
2) Onde? - Onde aconteceu? Qual cidade, endereço?
3) Quando? - Qual o horário? E a data?
4) Quem? - Quem está envolvido? Qual é a vítima? Quem é o acusado?
5) Por quê? - Como aconteceu? Quem é o responsável?

- NUNCA USE JARGÕES POLICIAIS. "Elemento", "meliante", "entrou em luta corporal", "se evadiu", entre outros, são formas utilizadas por policiais civis e militares na confecção de boletins de ocorrência e até no linguajar informal. Eles aprendem assim. Mas no jornalismo isso é inadmissível. Substitua tudo em seus textos por termos mais conhecidos, como "o suspeito", "o acusado", "brigou" ou "fugiu". A mesma regra para o juridiquês, ou seja, uso de termos técnicos usados por juízes ou advogados em processos. Fuja deles;

- "ATRAVÉS" É UMA MULETA que passou a ser usada para tudo. Nunca use em seu texto! Vá direto ao ponto, como sempre. Exemplo: em vez de "O curso foi aprovado através da ajuda do deputado tal", escreva "O curso foi aprovado com ajuda do deputado tal";

- "O MESMO" É OUTRA ABERRAÇÃO. Nunca use, pois é inútil. Parece que fica culto, mas na verdade é outra muleta. Exemplo: Em vez de "O homem foi capturado, pois o mesmo era foragido da Justiça", escreva "O homem foi capturado, pois era foragido da Justiça";

- "ALÉM DE" NÃO PRECISA DE "TAMBÉM" OU "MAIS". É o que chamamos de "gordura" em texto, muito usada, mas totalmente desnecessária. Se você começa uma frase com "além de", significa que haverá mais. Exemplo errado: "Além do adolescente, também foram presos três adultos". O correto é "Além do adolescente, foram presos três adultos". Simples assim;

- O CORRETO É "HÁ POUCO" E NÃO "AGORA HÁ POUCO". É um recurso muito usado na TV para tentar passar que o fato acabou de acontecer. Mas é errado; ou ocorre "agora" ou ocorreu "há pouco". Esta mistura é pura invencionice usada apenas na linguagem informal;

- NUNCA USE "DOUTOR". Não vale a pena entrar na famosa polêmica sobre o uso de doutor por advogado, médico ou quem fez doutorado. Por isso, chame o profissional pela função e nome, nunca incluindo o doutor. Exemplo: "O advogado José da Silva está defendendo o acusado"; "O cardiologista José de Almeida foi o responsável pela cirurgia";

- CHAME O ENTREVISTADO PELO SOBRENOME E A ENTREVISTADA PELO PRENOME. Quando você conversa com José da Silva, informa o nome completo dele e a função no início; depois, vai chamando de Silva. Se for Maria da Silva, é o contrário; vai chamá-la durante o texto de Maria. Ao contrário dos Estados Unidos, o jornalismo brasileiro não chama mulheres pelo sobrenome. Aqui, por exemplo, a ex-presidente Dilma Rousseff é apenas Dilma e não Rousseff; Hillary Clinton é só Hillary e não Clinton. Já os homens são tratados pelo sobrenome, a não ser que seja político ou figura pública. Assim, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é chamado aqui de Lula; no estrangeiro, Da Silva; já Neymar Júnior é só Neymar por aqui;

- A VÍRGULA É ESSENCIAL. Se tem dificuldades, consulte manuais ou profissionais mais experientes, mas nunca deixe de aprender. Um erro comum é não usá-la após um cumprimento ou sempre que acrescentar um nome após uma frase. Um caso comum de falta de vírgula atualmente é o "fora, alguém". Por exemplo: "Fora, Dilma"; "Fora, Temer"; "Fora, Maia". Se você não usa a vírgula nesses casos, está excluindo a pessoa de alguma coisa. Exemplo: "Todo mundo é corrupto, fora Dilma". A mesma coisa acontece com "parabéns" ou "obrigado". Lá está a vírgula, obrigatoriamente: "Parabéns, Araçatuba"; "Obrigado, leitor";

- JÚNIOR TEM ACENTO. Virou moda agora tirar o acento de nomes. Acredito que para americanizar o troço. Mas Júnior tem, obrigatoriamente, a não ser que a pessoa adote um nome artístico e não use, avisando o repórter sobre este detalhe. Fora isso, use sem dó;

- USE SEMPRE UM CORRETOR ORTOGRÁFICO. Nunca confie em seu cérebro, pois ele deixa você ler mesmo que a frase esteja ao contrário. Por isso, mantenha sempre o Word ao seu lado, pois vai encontrar sempre palavras digitadas erradas e até erros de concordância;

- NUNCA USE NÚMEROS ROMANOS. São ultrapassados e dificultam o entendimento rápido do leitor. Em vez de "século XVIII", escreva sempre "século 18". O mesmo acontece com nomes de reis, imperadores ou religiosos. Escreva sempre Dom Pedro 1º , papa Bento 16, rei Henrique 8º...

- NÃO RESISTIU E MORREU. Outra mania de muitos colegas de imprensa. Se morreu é porque não resistiu. É óbvio! Use um ou outro. Exemplo: "A vítima foi socorrida, mas não resistiu" ou "A vítima foi socorrida, mas morreu;

- POSTO DE GASOLINA. Outra mania antiga. Não se vende apenas gasolina em postos. O correto é "posto de combustíveis" ou até "autoposto";

- PROFISSÃO SE ESCREVE COM LETRA MINÚSCULA. Nunca escreva em letra maiúscula o cargo exercido por alguém. Assim, o correto é "O prefeito José da Silva..." e não "O Prefeito José..." A regra existe até para papa ou qualquer outra função religiosa. Então, escreva "papa Francisco" e não "Papa Francisco"; "cardeal José da Silva", e não "Cardeal José da Silva";

- "AÍ", UMA MULETA PARA TV AO VIVO. É insistentemente usado em eventos ao vivo na TV pelo jornalista ou apresentador, como se ficasse mais casual. "Vamos conversar aí com o direto da empresa"; "Vamos mostrar aí onde ocorreu o incêndio". É difícil, sim, fazer uma transmissão ao vivo, mas usar "aí" nunca vai deixar mais casual ou melhor. Pelo contrário. Mostra que o vocabulário do apresentador ou repórter é curto;

- TRAGÉDIA NÃO MATA NINGUÉM. Nunca diga que uma tragédia matou uma pessoa. Tragédia não mata! Você já ouviu alguém dizer: "Meu filho morreu de tragédia"? É claro que não! A tragédia é um acontecimento muito ruim, o resultado de algum problema sério. Vá direto ao assunto: "Capotamento mata rapaz em estrada" ou "Homem morre na colisão entre carro e moto".

- CHAMAR CASO DE "ACIDENTE" É JUÍZO DE VALOR. A imprensa tem o costume de dizer que alguém morreu em um acidente. É um hábito, mas também está julgando o que ocorreu sem perceber. Se um bêbado está dirigindo e bate em um carro, matando pessoas, cometeu um crime premeditado, portanto, não houve acidente; ele sabia que corria este risco ao dirigir embriagado. Prefira ir direto ao ponto sempre: "Motorista bêbado provoca colisão e mata três pessoas em rodovia"; "Empresário morre em capotamento na rodovia tal". Se tudo indicar que realmente foi um acidente, aí sim: "Roda se solta e provoca acidente em avenida";

- JORNALISTA NÃO É AUTORIDADE. Então, não aja como uma ao fazer a cobertura de algum evento, achando que é melhor do que os outros profissionais que estão no local. Respeite as verdadeiras autoridades do local, como policiais civis e militares, trabalhando em conjunto e dentro da lei. Sendo humilde e respeitoso, você consegue todas as informações que precisa e ainda adiciona fontes em sua carreira;

- SE VOCÊ É ASSESSOR DE IMPRENSA, ALGUMAS DICAS:

1º - Faça amizades nas redações, deixe seus contatos e nunca, nunca mesmo, ligue para pedir que uma matéria não seja publicada ou para tentar "ensinar" um repórter ou editor a fazer o seu serviço. Assessor assessora, então, não faça o que seu cliente ou patrão faria se não gostasse de algo que virou ou vai virar notícia, geralmente ligando e esbravejando para intimidar o jornalista. Sua função é fazer o meio-campo entre as duas pontas, apaziguar, fornecer informações para os colegas jornalistas e explicar para seu chefe como trabalham. Se o assessor de imprensa for arrogante com as redações em momentos de crise, além de não conseguir mais a divulgação de boas notícias do cliente, ficará queimado com os colegas;

2º - Produza um release em forma de notícia para conseguir publicações no maior número possível de órgãos de imprensa, com boas fotos - nunca posadas. Siga todos os padrões jornalísticos e evite leads batidos, como "A Prefeitura de tal cidade, por meio da Secretaria tal"... Seja criativo e vá direto ao assunto. Um bom título, chamando para o principal do fato, é imprescindível. Assim, conseguirá que sites publiquem praticamente na íntegra o seu texto, já que a velocidade da informação é essencial nestes meios de comunicação;

3º - Chamar Prefeitura de Governo é provinciano demais.

4º - Usar "Prefeitura Municipal" é ser redundante - toda Prefeitura é municipal;

5º - Se o seu cliente exigir fotos posadas, tudo bem. Elas podem ser usadas para o site dele ou suas redes sociais. Mas faça também fotos com o mínimo de profissionalismo para serem usadas em órgãos de imprensa.


EM TEMPO 1
Este post será sempre atualizado, mesmo que fique muito grande, o que atualmente é algo abominável para meros leitores de títulos no Facebook ou adeptos de "textinhos".

Se você quer ser um bom jornalista, não se deixe contaminar por esses modismos. Leia muito, escreva mais ainda e nunca tenha dúvidas. Se não conhece uma palavra, consulte um dicionário (mantenha perto, pois é a bíblia do jornalista). Se tem dúvidas com relação à construção de texto, consulte uma gramática ou um profissional experiente.

Lembre-se que as redes sociais estão cheias de "professores de português" que não sabem nem a diferença entre "mais" ou "mas", mas estão prontos para apontar o dedo para um erro seu e fazer piadinha pronta, como se jornalista não fosse humano e as redações tivessem apenas estagiários. Aliás, conheço alguns estagiários muito melhores do que um monte de profissional experiente.

EM TEMPO 2
O bom jornalismo, ao contrário do que algumas pessoas pregam aos ventos, vai continuar sendo essencial na vida das pessoas. É graças a eles que leitores preocupados realmente com a verdade vão continuar sabendo se é uma corrente falsa ou não o que viram divulgados por Whatsapp ou Facebook.