Até quando o vitimismo vai ser tão valorizado nas redes sociais?




Uma mulher precisa urgentemente de um remédio. Vai a um posto de saúde e a atendente, assim como faz com todos, a encaminha para o setor responsável, que funciona em um determinado horário.

Alegando que estará trabalhando, a mulher pede uma solução. Ela, então, marca um novo horário. Novamente, ela alega que vai estar trabalhando e quer um jeitinho, burlando as regras. Não consegue.

Fazendo-se de "vítima prejudicada", vai às redes sociais criticar o sistema de saúde, a administração municipal, enfim, todos que não podem atendê-la no horário que quer. É claro que 99% das pessoas que a seguem em suas redes sociais concordam com ela, ignorando o fato de a atendente ter feito tudo dentro do que determina a regra e de o sistema funcionar, mas não como a "vítima" quer.

Mas para que servem regras, não é mesmo?


Outra mulher chega gritando com o médico porque não conseguiu um papel e quer que ele baixe a cabeça, diga amém e a atenda correndo. Ela, "vitimizada", grava tudo com o celular e posta nas redes sociais, prejudicando o profissional e conseguindo seus "likes", aplaudida por outros que agem da mesma forma.

Médico tem que ouvir grito e ficar quieto, não é mesmo?


O sujeito quer vender suas frutas no calçadão sem autorização. Faz-se de desentendido e fica lá, como se nada tivesse acontecido. Os comerciantes, é claro, chamam guardas municipais para retirá-lo do local. "Vitimizado", afirma que está trabalhando e faz escândalo, transformando os guardas em vilões por cumprirem a regra.

Logo, as pessoas em volta partem para cima dos agentes de segurança pública. Alguém filma, "horrorizado" com o que acontece e "denunciando" que o infrator precisa trabalhar, sendo impedido por "repressores".

Afinal, comerciantes não empregam ninguém nem pagam altos impostos, não é mesmo?


Em uma perseguição policial, um assaltante foge com uma moto furtada. Logo cai com o veículo e sai correndo em um bairro da periferia. Ninguém faz nada. Todos apenas observam.

O policial militar consegue detê-lo e o segura no chão, firmemente, para que não fuja. É quando os moradores e comerciantes nos arredores, comovidos com a "vitimização" do rapaz, vão para cima dos agentes da lei, gritando e filmando a ação.

Polícia Militar deve agir com carinho contra bandido, não é mesmo?


Uma mulher não gosta de um político e o ataca pelas redes sociais. Diz o que quer. O político, por sua vez, sente-se ofendido, a processa e ganha a ação. A pessoa é condenada a pagar cestas básicas a uma entidade.

"Vitimizada", volta às redes sociais para criticar o político e a decisão da Justiça, pois tem "o direito" de "se expressar"; também dá entrevistas emocionadas... A maioria dos seus amigos, obviamente, concorda com ela e fazem coro.

Político não é gente, não tem família e é tudo igual, não é mesmo?

Todas as histórias acima são verdadeiras. São exemplos de que a vitimização reina absoluta em nosso país pela simples falta de educação. As pessoas são criadas acreditando que podem resolver tudo no grito, expondo todo mundo nas redes sociais, mesmo que não esteja correta. E quem devem apoiar seus "amigos" e os "oprimidos", mesmo que sejam assaltantes ou não cumpram regras.

É o homem mordendo o cachorro, numa inversão de valores absoluta.


Acham que toda empresa, político, servidor ou até pessoa pública, como ator ou cantor, devem ser criticados abertamente, sem reagir, caso contrário estarão impedindo a "livre manifestação". Mas esquecem que, quem diz o que quer, ouve o que não quer; e que as pessoas podem se manifestar livrevemente, mas serão responsáveis judicialmente por seu atos. Simples assim.

Antes de se fazer de vítima e denegrir uma pessoa que está trabalhando corretamente, avalie o resultado de sua ação. Se você não quer ser prejudicado, por que vai prejudicar uma mãe ou pai de família que cumpre seu trabalho honestamente?

Aquele "um minutinho" que você estaciona seu carro irregularmente, por exemplo, pode provocar um acidente. Mas, se multar, é uma "indústria" que só quer "extorquir" os "pobres trabalhadores".

Se você conseguiu chegar até aqui no texto, o que é muito difícil ultimamente, um resumo: se errou, pague pela falha em vez de se vitimizar e correr aos prantos para o Facebook e Whatsapp para receber "tapinhas nas costas".

Vitimização é um problema sério de pessoas sem educação.


Aja corretamente e procure seus direitos quando for prejudicado, sem fazer drama ou barraco. Você vai ver como a vida é melhor quando há educação e as regras são seguidas.

SOBRE O AUTOR

O blogueiro José Marcos Taveira, ou Zemarcos, é jornalista há 30 anos, com especialização em comunicação social. Mora em Araçatuba, cidade do interior de São Paulo (Brasil).
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