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'Eu quis fugir do destino', por Nélson Júnior


Recebi o texto abaixo, em janeiro, do meu amigo-irmão Nélson Júnior. É uma homenagem ao radialista e compositor Zé Bill, que já não está mais entre nós. Prometi publicar aqui no blog, e acabei me esquecendo. Perdão, Nelsinho. Sei como o Zé foi importante pra você e lamento pela publicação atrasada. Mas antes tarde do que nunca. Belo texto!

"Eu quis fugir do destino... Fugir da realidade..." Poxa, já se foram cinco anos. Talvez muitos não se lembrem das frases anteriores, mas acreditem: um dos maiores refrões de sucesso do cantor Daniel. Bom, dele, todos lembram com alegria. Merecido reconhecimento, mas “Desatino” é uma letra da terra, feita por aqui, por um dos maiores e melhores radialistas sertanejos do interior paulista.

O último 20 de janeiro foi um dia triste para os amantes do rádio. Num dia como aquele, em 2004, morria, aos 50 anos de uma vida bem-vivida, Valmir Vieira - nosso eterno "Zé Bill". Tive o prazer de trabalhar com esse super-homem do rádio. Um "Fenômeno" de carisma e humildade que todos os dias chegava na casa de milhares através das ondas da AM.

Ainda me lembro do cheiro de álcool no estúdio... Não era defeito! Ele fazia da vida uma diversão e pagou um preço alto pelo ingresso. Morreu de complicações provocadas pela diabetes alta e hepatite. Mas, antes disso, teve uma vida intensa. Rádio, música, letras, mulheres e dinheiro. Este último, consumido pelas mulheres e vontade de ser feliz.

Já em seu último ano de vida, absorvi muitas ideias bonitas, daquelas que somente os puros de coração conseguem passar. Certo dia, trocando de horário, ele me disse:

- Cara, você é um moço novo. Use o rádio, não deixe ele usar você, pois, se deixar, vai ser um eterno amor sem resposta.

Aquelas palavras sábias saíam com frequência, como bala de metralhadora.

A cada minuto ele tinha algo novo a dizer... Era um misto de revolta e carinho. Ouvia todos, e a todos dava atenção.

Coisa rara, hoje, quando vejo ou ouço ilustres desconhecidos no rádio e outros veículos...

Eu estava ouvindo essa música e talvez, por isso, o saudosismo. Mas, como diz a letra: "Saudade me apertou". São cinco anos de saudade deste cara ímpar.

A simplicidade em pessoa partiu e não deixou herdeiros. "Zé", como gostava de ser chamado, é, sem dúvida, uma prova de que ele queria ser mais um, entre tantos.

Não era! Mas, talvez, como queria, morreu assim!"

Veja, abaixo, o clipe da música "Desatino", autoria de Zé Bill, interpretada pelo sertanejo Daniel. Participação especial de Nicole Bahls, a musa do Paraná.




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