Tributo à nossa querida Lana

Michael e Lana novinhos: cresceram juntos
Quando meu filho nasceu, decidimos criar um cachorrinho para que ele tivesse uma companhia para brincar. Fomos ao canil da Polícia Militar de Araçatuba e encontramos uma linda cadelinha, pequenina como meu menino. Uma pastor alemão capa-preta.

Como sou fã das histórias do Superman, batizamos de Lana - homenagem à Lana Lang, amor de infância de Clark Kent. Era um bichinho pequeno com patas grandes. Com o tempo, ela ficou enorme, preta, linda e muito, muito serelepe.

Não podia me ver que começava a abanar aquele rabão peludo. Corria para longe, pegava impulso e... Pimba! Pulava em cima de mim. E deixava a marca das patinhas na roupa... rs

Era uma cadela de guarda muito boa. Estava atenta a qualquer movimento no quintal e latia grosso. Quando eu chegava do trabalho, ela ouvia o barulho do carro e já começava a latir e fazer aquele grunido de "quero carinho". Eu gritava "Lana, Lana", com voz fina que a gente faz para criancinha, e ela parava... Às vezes... Outras, tinha que ir lá fazer um cafuné. Me lambia, fazia a festa.

O tempo passou. Um dia, descobrimos um caroço e a levamos ao veterinário. Era câncer. Decidimos não operar. Era arriscado para ela. Seguiria até quando desse.

Michael, Lana e Lu: na foto, ela já tinha câncer
O tempo passou mais um pouco. Ela e meu filho chegaram aos 14 anos de idade. Meu menino ainda é um adolescente, mas para a idade dos cachorros Lana já era uma senhora de mais de 70 anos. Quase não latia, andava muito devagar, começou a ficar surda.

Aquela cadelinha serelepe já não reagia quando me via. Passava do lado sem qualquer reação. Coisa de idoso, que já não tem mais paciência com nada...

Há alguns dias, ela quase não se alimentava mais. O câncer se transformou em uma bolinha pendurada. Ela não gemia, portanto parecia não ter dor. Começou a emagrecer demais e de repente não andava. As patinhas traseiras não se mexiam. Ficava apenas deitada.

Acabaram os pulos, os latidos, o rabão peludo agitado, fica em pé, quase da minha altura com a língua de fora. Enfim, ela tinha apenas um olhar triste, que cortava o coração.

Decidimos sacrificá-la para não sofrer mais. Levamos a bichinha ao Centro de Zoonoses ontem (22). A Lu não aguentou entrar na sala. Ficou esperando do lado de fora. Os funcionários, muito educadamente, me explicaram todo o procedimento. Ela receberia um analgésico que paralisaria todos os seus movimentos e não a deixaria ter qualquer dor. Depois, aplicariam a medicação fatal.

Aquele momento está entre os piores da minha vida. Vou descrevê-lo aqui ainda em meio a lágrimas. A primeira injeção veio e ela deitou a cabeça. As outras foram aplicadas e levaram a Lana embora...

Os funcionários, muito, muito sensíveis e profissionais, me deixaram sozinho com ela para a última despedida. Fiquei vendo aquela cachorra que tanto amamos deitada naquela mesa de metal, inerte, sem vida. Então, chorei muito, passando a mão em sua cabeça e naquele focinho enorme.

Os pelos, antes muito pretos, estavam desgastados na parte traseira. Ela não chorou, não fez qualquer movimento. Simplesmente partiu...

Em meio às lágrimas, fechei seu olhinhos. É a última imagem que tenho de um animal de estimação que fazia parte da família.

Deixei minha filhinha postiça e segui em direção ao carro. A Lu estava lá, me aguardando. Quando me viu, sabia que tudo havia acabado. Abraçados, choramos muito. O mesmo aconteceu com meu filho, Michael, ao chegar da escola e saber que sua parceira de brincadeiras de infância não estava mais entre a gente.

Deixei para escrever este texto hoje, com um pouco mais de calma. A perda é grande para todos nós. Continuo olhando para a porta da cozinha, achando que ela está lá, observando a gente, esperando eu jogar a parte da semente de goiabas, que ela comia de uma vez só.

A Lana vai continuar em nossos corações sempre. Decidimos que não haverá substituta. Era como um membro da família que a gente não troca por outro. Apenas venera sua memória e sente muita, muita falta.

Acredito que animais também tenham alma e vão para um lugar muito bonito, como os seres humanos. Tenho certeza que ela deve estar pulando sobre alguma alma gentil que a acolheu, e sujando sua roupa branquinha com a pata sujinha...

O blogueiro José Marcos Taveira, ou Zemarcos, é jornalista há 30 anos, com especialização em comunicação social. Mora em Araçatuba, cidade do interior de São Paulo (Brasil).
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