Diário de um ex-careca: saiba tudo sobre aplicação de prótese capilar


Depois de quase dez anos careca, a sensação inicial é de ver uma nova pessoa no espelho. É estranho ter de novo uma porção de cabelos para passar entre os próprios dedos lentamente. A simples rotina de usar uma escova para pentear a parte de cima de sua cabeça o deixa constrangido, como se tivesse que reaprender a fazer algo tão comum na vida das pessoas.

No primeiro dia, parece que está usando um boné; se baixar a cabeça para arrumar os chinelos, por exemplo, a impressão é que vai descolar e cair. Só impressão. Sua cabeça, antes desprotegida e a primeira a sentir frio em qualquer mudança de clima, começa lentamente a esquentar. E aos poucos sua vida volta ao normal, com a diferença de que agora sua esposa olha para você como se tivesse rejuvenescido.

Usar uma prótese capilar é mais do que um simples luxo. É algo que deveria ser oferecido pelo SUS, tamanho o benefício que proporciona para a autoestima. Quando você deixa o salão de cabeleireiro, é outra pessoa. Mais confiante, mais... normal.

REDES SOCIAIS
A calvície nunca foi problema para mim. Nunca me incomodou. Comecei a perder meus cabelos encaracolados quando tinha 25 anos - e cultivava um grande topete. Como minha esposa nunca se importou - ou pelo menos nunca me disse que se importava -, também não me importei. Nunca fui atrás de tratamentos ou mesmo de um implante. Se funcionassem, astros internacionais como Vin Diesel ou Bruce Willis, que são milionários, já teriam usado.

As redes sociais me fizeram mudar de ideia. E a culpa é do empresário Gleber Piona, um amigo antigo que cuidava do meu falecido topete. Dono de um dos salões mais conhecidos de Araçatuba e região, ele trabalha com próteses capilares desde o início dos anos 2000, mas seus vídeos divulgados no Facebook, mostrando um resultado fantástico e natural, começaram a atrair mais clientes. Inclusive eu.

A convite de Piona, incentivado por outro grande amigo e companheiro de calvície, o jornalista Marcelo Trevizo, e com apoio de minha esposa, decidi experimentar, aos 46 anos de idade, como seria voltar a ter um topete.

PREPARAÇÃO
A primeira atitude é guardar a empolgação. Se finalmente decidiu colocar uma prótese capilar, não pense que chegará ao salão e sairá com uma. O processo é demorado para que saia perfeito. E Piona é exigente com isso. Antes de tudo, ele faz uma avaliação do seu cabelo, tira fotos, faz vídeos. É necessário para que escolha a prótese ideal.

Outro passo importante é o tamanho do cabelo que restou. Será necessário deixá-lo crescer para que a prótese "encaixe" perfeitamente nele. No meu caso, a demora foi de quase dois meses até que os cabelos ficassem no tamanho ideal e a prótese fosse escolhida, com fios grisalhos também. Se o cliente quer pintar o cabelo, a prótese seguirá o tom da tintura que escolher. Mas nada melhor que o natural, na minha opinião.

O GRANDE DIA
O implante demora cerca de duas horas. Feito calmamente e com todo cuidado típico de um grande profissional como o Piona. Ele retira o cabelo nas partes da cabeça que ficarão com adesivo, marca com uma canetinha pontos para deixar tudo no lugar correto e cola a cabeleira bem devagar.

Depois de colocar a prótese - que é feita de cabelo humano fixado em uma rede muito fina e já tem fitas adesivas -, vem o toque profissional: um penteado personalizado. O resultado é um cabelo natural. No meu caso, mantive o grisalho, o que ajudou ainda mais.

Com os colegas, o impacto foi grande. Alguns disseram que não me reconheceram logo que entrei na redação. Achei que fosse ser alvo de brincadeiras, mas os comentários foram sempre positivos. Levar as gozações na esportiva é essencial. Logo vão se acostumar com seu novo visual.

ROTINA
Manter o penteado é sua nova "preocupação". A cada olhada no espelho, uma passada de mão para arrumar os fios rebeldes. Uma escova com cerdas bem abertas e pontas de bolinha para não danificar a prótese, além de um creme para mantê-la bem hidratada durante os penteados, são essenciais.

Nas primeiras 48 horas não é recomendado fazer exercícios físicos que o levem a suar muito. Nem lavar a cabeça.

A primeira noite de sono é também "estranha". Você fica preocupado que o implante vai cair ao se mexer no travesseiro, mas nada acontece. Já o amanhecer é "assustador": um topete enorme despenteado para cuidar pela manhã. Nada que você não faça sorrindo, vivendo agora a doce vida de um ex-careca.

SERVIÇO
O salão de Gleber Piona fica na rua Bandeirantes, 783, em Araçatuba.
Telefones: (18) 3622-5535 e 98156-8545 (Whatsapp). O atendimento é com hora marcada.

Veja abaixo como foi a aplicação da prótese.

Fotos de Luci Neide Taveira e Marcelo Trevizo:



TIRE SUAS DÚVIDAS

Gleber Piona, especialista na aplicação de próteses capilares, tira dúvidas de quem pretende usar uma prótese capilar:

Quem pode usar?
Não há idade. Homens, mulheres e crianças podem aplicar. É recomendada, inclusive, para quem possui alguma cicatriz no couro cabeludo ou queda provocada por quimioterapia.

Do que é feita a prótese?
De cabelo humano, aplicado em uma fina rede que permite à pele respirar normalmente.

É feita alguma cirurgia?
Não. A prótese é colada com fitas adesivas. Em homens, é raspada a área de cima para facilitar a aplicação. Em mulheres, não é necessário porque é usada outra técnica.

Posso tomar banho com a prótese?
Sim, é possível levar uma vida normal. Se o cliente quiser aumentar a vida útil dos cabelos da prótese, pode lavar a cabeça uma vez por semana, em média. Mas é importante usar sempre xampu e condicionador de qualidade para cabelos secos e passar um hidratante ao pentear. A hidratação da prótese é essencial.

Posso entrar com ela em uma piscina?
Sim, desde que a manutenção esteja em dia. E somente 48 horas depois da aplicação.

Como é feita a manutenção?
Entre duas e quatro semanas em média. A prótese é retirada e higienizada. A fita adesiva é trocada. A cabeça do cliente, se for homem, é raspada novamente e limpa no local onde a prótese é aplicada. Se for necessário, o cabelo é cortado para manter o penteado. No caso de mulheres, não é necessário raspar a área.

Qual o valor de uma prótese de qualidade?
Entre R$ 1,2 mil e R$ 2,1 mil.

Quanto custa a manutenção?
R$ 75 em média.


Assista no vídeo abaixo entrevista com Alceu Batista e Gleber Piona, usuários de próteses, além de detalhes da aplicação em Zemarcos:




"Quando olho no espelho, o astral e a autoestima aumentam bastante", diz vereador


O vereador Alceu Batista, de Araçatuba, usa prótese capilar há mais de um mês. E aprovou a mudança de visual. Ele foi convencido por outro vereador muito conhecido no município, Cido Saraiva, que optou pelo dispositivo há vários anos. Ambos também são clientes de Gleber Piona.

Alceu começou a perder cabelo aos 20 anos. Hoje tem 54. E por mais que tentasse arrumar o que restou em volta da cabeça, não ficava satisfeito. "O implante estava fora de cogitação, porque não queria me submeter a nenhuma cirurgia", afirmou. A decisão pela prótese foi tomada por vaidade mesmo. "Decidi fazer esse procedimento (prótese) porque pensei: se não gostar, posso retirar. Não tenho problema nenhum em ter minha careca de volta."

Alceu Batista antes e depois da prótese. Fotos: Alexandre Souza/Folha da Região

O vereador já se adaptou e lembra-se apenas que usa prótese quando alguém diz alguma coisa. E se perguntam a respeito, ele afirma que tem prazer em explicar. Na primeira manutenção, decidiu apenas reduzir o topete.

Sobre a recepção dos amigos e da família, Alceu diz que foi bacana. "Não ligo para gozação. Levo muito na esportiva. Alguns amigos tiraram sarro. As esposas de alguns colegas carecas acharam bacana e sugeriram para que fizessem também", afirma.

A esposa dele, inicialmente, não queria que fizesse, mas hoje é ela quem o penteia. E está gostando. "Estou me sentindo muito bem. Quando olho no espelho, o astral e a autoestima aumentam bastante", revela. "Não achei que seria tão bom."

O blogueiro José Marcos Taveira, ou Zemarcos, é jornalista há 30 anos, com especialização em comunicação social. Mora em Araçatuba, cidade do interior de São Paulo (Brasil).
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