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| Duxtei (e), Consa, Durvalina, Arnon, Luceni, Flávio e Zemarcos. Foto de Maria Antônia Dario |
O 1º Enesiar (Encontro de Escritores Independentes de Araçatuba e Região), realizado ontem (18) em Araçatuba, discutiu temas interessantes envolvendo literatura e internet e até a possibilidade do fim do livro. O mais bacana foi saber que a UBE (União Brasileira de Escritores de Araçatuba), promotora do evento, estuda mudar seus estatutos para incluir blogueiros ligados à literatura em seu quadro de membros.
O presidente nacional da instituição, Joaquim Maria Botelho, participou do evento. Em sua palestra, mostrou todo o seu tradicionalismo ao apontar apenas o lado ruim da internet. Ele citou, com razão, blogueiros que copiam textos de escritores sem citar autorias ou apenas identificando como autor desconhecido. Mas se esqueceu - ou não quis lembrar - que grandes escritores também estão na blogosfera.
Mas em entrevista à repórter Aline Galcino, publicada hoje
Folha da Região, concordou que a internet contribui para a divulgação da literatura e que essa falta de respeito aos autores não é específica da rede mundial de computadores. Na reportagem, afirmou ainda que a UBE está alterando seus estatutos para regimentar quem escreve para a internet, seguindo critérios de qualidade, conteúdo e elaboração intelectual.
O secretário de Cultura de Araçatuba, Hélio Consolaro, discordou do palestrante e lembrou da presença de escritores na blogosfera, como ele mesmo, divulgando seu trabalho. Consa criticou o "endeusamento" do livro, o que faz com que literários tradicionalistas e extremistas não enxerguem as novas mídias como parceiras. E foi além: disse ser favorável ao fim do livro, o que ajudaria a manter muitas árvores. Consa também lembrou que a secretaria de Cultura não valoriza apenas a literatura, mas todos os artistas ligados a ela.
Também participei da mesa de discussões. Falei sobre a criatividade dos artistas e que escritor é escritor em qualquer mídia, não apenas no livro. Defendi a inclusão de blogueiros escritores na própria UBE (lembrei, inclusive, que a entidade
tem blog) e nas academias de letras, como
já escrevi aqui. Não acredito no fim do livro ou do jornal impresso. Mas é preciso abrir a mente para o que a tecnologia nos oferece.